Itaparica: beleza com mais comodidade

Se antes, a beleza de suas praias já era suficiente para atrair turistas de todos os cantos, incluindo da capital Salvador, agora Itaparica ficará ainda mais confortável para seus visitantes. A nova gestão do sistema ferryboat e a ponte Salvador – Itaparica – obras cujos primeiros editais foram lançados na semana passada – torna o local de mais fácil acesso. As praias banhadas pelo mar azul, calmo e de águas mornas da Ilha de Itaparica, a maior ilha da Baía de Todos os Santos, na Bahia, são destino certo para quem procura tranquilidade em meio à natureza exuberante para longos dias de descanso.

Com céu azul e sol forte, os dias tardam a passar na terra do escritor João Ubaldo Ribeiro. O turista terá tempo suficiente para conhecer belas praias, degustar a gastronomia local e ainda aproveitar para relaxar e esquecer a correria das grandes metrópoles. Com mais de 40 quilômetros de praias, a Ilha de Itaparica é dividida em dois municípios: Itaparica e Vera Cruz, cujo centro comercial é mais conhecido como Mar Grande.

Cercada por uma extensa barreira de recifes, a ilha – cujo nome deriva do tupi, “Itaparica” significa “cerca de pedras” – tem águas brandas e piscinas naturais formadas em grande parte das praias, principalmente na maré seca. Em sua extensão é possível encontrar ainda enseadas praticamente desertas, dentre elas destaca-se Berlinque na extremidade de Vera Cruz. Para quem gosta de um pouco mais de agitação e infraestrutura, as praias de Ponta de Areia e Itaparica (em Itaparica) reúnem quiosques “pé na areia” que servem delícias da gastronomia local como o tradicional acarajé e porções de peixe como filé de agulinha e pititinga. Também há bebidas a base de frutas regionais abundantes como manga, umbu e cajá.

Localizada no coração da Baía e a apenas 13km de Salvador, a ilha proporciona paisagens deslumbrantes e diversificadas. As praias voltadas para o leste (ou seja, nascentes), por exemplo, como a do Duro e Gamboa (em Vera Cruz), encantam pela bela vista da silhueta de Salvador. Como foto de cartão postal ficam as noites em que a lua vai surgindo aos poucos atrás dos arranha céus da cidade, iluminando as calmas enseadas locais.

História

Voltar à história da ilha de Itaparica é retornar aos primórdios da nossa civilização. O descobrimento do Brasil se deu em terras baianas, onde hoje é Porto Seguro. Um ano mais tarde, a 720 km de distância do ponto do descobrimento, Américo Vespúcio avistou a Ilha de Itaparica, na época residida pelos índios Tupinambás. Passados dez anos, em 1510, o navegador português Diogo Álvaro Correia, que ficou conhecido como “Caramuru”, registrou sua passagem por aqui. Ao se casar com a princesa tupinambá “Paraguaçu” ele formou a primeira família genuinamente brasileira.

Os jesuítas foram responsáveis pela colonização de Itaparica, ocorrida em 1560, e firmaram-se na contra-costa onde hoje localiza-se Baiacu, rústica vila de pescadores. A partir de 1600 os ingleses e holandeses tentaram ocupar a ilha inúmeras vezes e só foram expulsos definitivamente pelos portugueses em 1647. Ainda hoje no município de Itaparica é possível observar monumentos daquela época como o Forte São Lorenço, onde encontra-se a única área de desmagnetização de navios do país, e o Solar do Rei, que hospedou D. João VI, D. Pedro I e D. Pedro II. Até 1833 a Ilha de Itaparica fazia parte de Salvador. Com o crescimento da cidade, aumento do turismo e frente às dificuldades administrativas, a ilha foi dividida e em 1962 surgiu o município de Vera Cruz.

Artigo publicado no jornal Tribuna da Bahia, no dia 29/04/2013.